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O comportamento da economia

Welington Rodrigues

A leitura do comportamento da economia brasileira é de um cenário de recuperação. Lançando luz sobre os indicadores macroeconômicos observa-se a reação dos agentes econômicos, governo, famílias e mercado frente às turbulências ocorridas na economia mundial no último quadrimestre do ano passado, justamente em um momento em que o processo de investimentos no Brasil estava muito forte, pela entrada de investimento externo direto no mercado de ações e vários projetos privados em andamento, consumo e produção em alta, o que é natural do segundo semestre.

dinheiro

Indicadores de uma economia aquecida e setembro registrando a histórica entrada de capitais no país de R$19,7 bilhões. Daí por diante o cenário foi marcado por alterações no crédito, no comércio exterior e nível de confiança na economia, considerados canais de transmissão da crise. Resultado: forte retração da economia. Na seqüência, a adoção de medidas de restrição de crédito pelo sistema financeiro, a ruptura dos investimentos, forte queda no nível de confiança dos empresários, pequena queda no nível de confiança das famílias, e reações demoradas do governo, até porque ninguém conseguia enxergar o que viria pela frente. Pisada no freio geral. Não tendo crédito para girar a economia, não tem dinheiro para consumo e investimento. O cenário muda em 2009 e abre novas perspectivas para a economia mundial, alterando o nível de confiança motivada por esperança de retomada da economia americana apresentando um novo governo, e com os resultados das medidas anticrise tomadas pelos governos centrais. No Brasil, o Banco Central reduz o depósito compulsório fazendo retornar a liquidez no mercado, intervém no mercado de câmbio comprando dólares, cria um colchão de reservas de R$200 bilhões e segura o tranco, numa política de recuperação e ampliação das reservas. O governo federal desonera a carga tributária de alguns setores, como veículos, eletrodoméstico (linha branca) e sobre alguns materiais de construção civil. A taxa de inflação, a maioria dos países experimentou redução, em alguns deflação, em outros aumentou. Deflação nos Estados Unidos, Japão, China. Desinflação modesta na Zona do Euro, Rússia, Índia, México, Brasil. Os reflexos da economia mundial são muito grandes no Brasil. Na produtividade houve sincronia de contração na produção industrial em várias economias e Brasil. Houve queda nos Estados Unidos, Zona do Euro, Japão, Rússia. Recuperação em Índia, China (dinâmica de recuperação forte), México, Brasil.

O PIB do setor agropecuário e da indústria caiu, o do setor de serviços se manteve positivo, mas no geral caiu o nível da atividade econômica, porque diminuiu o consumo das famílias. Houve queda das importações e exportações. Caiu a taxa de desemprego, porém em patamares menores que no mesmo período de 2008. O índice da bolsa recuperou. A redução no déficit externo foi modesta. Melhorou a relação dívida líquida do setor público/PIB, A compra de máquinas e equipamentos apresentou muita retração. Queda da taxa de juros para índices recordes na história da economia brasileira, tendo a última ata do COPOM sinalizando novas quedas dos juros, por causa das boas notícias do mercado. Não houve mudanças bruscas nas economias mundiais. A contração do crédito doméstico recuperou. O crédito direcionado como o empréstimo aos aposentados e para pessoa física aumentou, porém para as empresas diminuiu e até algumas linhas de crédito foram suspensas. Queda da arrecadação dos municípios pela diminuição dos repasses do FUNDEB, FPM e saúde. O que vem por aí? O momento é de fazer ajustes e se preparar para o crescimento que se avizinha.

A retomada da economia americana e européia tende a acontecer no segundo semestre de 2010, e quando isto acontecer o Brasil poderá estar muito dentro da lavoura, no dizer do cidadão comum. A palavra-chave é otimismo. Este segundo semestre pode ser um ensaio de bom do que vem pela frente. O Brasil na crise foi avaliado pelos investidores positivamente, e os emergentes como Brasil, índia e China vão ser mais procurados pelo seu potencial e negócios. Talvez em menor proporção a Rússia. Retorno dos investimentos diretos externos no setor produtivo, recuperando o saldo de transações em conta-corrente. A entrada de capitais em alta mantém o dólar baixo, com isso as commodities permanecem em alta. A safra agrícola já chegou ao nível de produção de todo o ano de 2007, com tendência de atingir nível melhor que 2008, pelo aumento da produtividade e crédito disponível. O BNDES sinalizou ao setor produtivo redução das suas taxas de juros ficando um custo final na média, incluído o agente financeiro, 9,9% ao ano. É preciso que os bancos oficiais façam o mesmo, porque quando houve quebra de bancos no passado, quem irrigou seus cofres foi dinheiro do povo, agora eles precisam facilitar o crédito e que seja a um menor spread. Os fundamentos da economia brasileira são bastante sustentáveis, a retomada da produção e consumo anima o mercado. No caso do retorno da venda de automóveis novos, uma situação preocupa que é o prazo estendido para 80 meses, que pode causar mais uma bolha de consumo, em se tratando de bem altamente depreciável. Prioridade para a soja que tende a melhorar de preço.

A índia e a China podem se tornar os principais importadores do agronegócio brasileiro, especialmente soja e carne, e minério como o aço. Estes dois países têm muita gente para alimentar e não tem terra disponível para plantar e a China apresenta pesados investimentos em infraestrutura. O Brasil tem grande disponibilidade de terra para produção, detentor de recursos escassos no mundo, como água em abundância, alimentos para boa parte do mundo e oferta de energia como os biocombustíveis, fatores esses primordiais para sobrevivência no mundo nos próximos anos. O congresso precisa deixar o país progredir revendo e aprovando logo a reforma tributária e o governo liberar os recursos para o FCO.



Welington Rodrigues
email: santoswelington@ig.com.br

Economista, pós-graduando MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC, Diretor da Project Consultoria Especializada e autor do livro "Por que Inhumas é assim?".



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